Mesmo com o início oficial das atividades na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a instalação da Comissão de Segurança Pública segue travada por um impasse político. O entrave gira em torno da indicação do deputado Leandro de Jesus (PL) para presidir o colegiado. A oposição sustenta que havia um entendimento prévio garantindo ao bloco oposicionista o comando da comissão, cabendo à minoria a escolha do nome. No entanto, parlamentares alinhados ao governo teriam se articulado para barrar a confirmação do deputado no posto, o que impediu o início formal dos trabalhos.
Nos bastidores, a disputa se intensificou após um rearranjo interno na própria oposição. O deputado Diego Castro (PL), que antes ocupava espaço de destaque na articulação do grupo, teria aberto caminho para que Leandro assumisse a presidência da comissão. A movimentação, entretanto, não contou com o aval da base governista, que resiste à condução do colegiado por um parlamentar ligado ao bolsonarismo. Diante do cenário, Leandro criticou publicamente o que classificou como falta de interesse do governo em debater a segurança pública no estado, área que concentra debates sobre políticas de enfrentamento à violência e fiscalização das ações do Executivo.
Enquanto o impasse persiste, a comissão formada por deputados de diferentes espectros ideológicos permanece sem iniciar oficialmente suas atividades. O colegiado tem papel estratégico ao tratar de temas sensíveis como segurança pública e direitos humanos, além de acompanhar programas estaduais na área. Paralelamente, mudanças também ocorreram em outras comissões da Casa após o falecimento do deputado Alan Sanches (União Brasil), em janeiro. Com a vacância, Luciano Ribeiro (União Brasil) passou a integrar a Comissão de Constituição e Justiça, reorganizando a composição interna neste início de ano legislativo.